Na arta araraquarense tinha um rico fazendeiro
E tinha um filho pequeno, era seu único herdeiro
Foi consurtá uma cigana, veja o triste desespero
O seu filho vai ser morto no chifre de um pantaneiro
Mais ele não conformava com que a sorte dizia
E bem longe da invernada uma casa construía
Cercou com grade de ferro para dar mais garantia
Pro seu querido filhinho que ali dentro ele vivia
Muitos anos se passou e o filho do fazendeiro
Ficou moço ali fechado, cresceu como um prisioneiro
Certo dia disse ao pai, me leve lá no mangueiro
Quero ficar conhecendo o tár de boi pantaneiro
O ricaço não queria o seu filho contrariá
Já mandou matar o boi pro filho podê olhá
E depois do boi já morto sem perigo apresentá
Pra conhecê o mestiço seu filho ele foi buscá
Chegando no matadô o rapaz se admirô
A primeira vez na vida que um boi ele enxergô
Foi arrodiar o mestiço, no seu sangue escorregô
Caindo em cima do chifre que seu coração varô
Vendo seu filhinho morto, quase louco ele fico
Chorando desesperado desse jeito ele falô
Adeus meu filho querido, a sorte me derrotô
Cumprindo a sina marcada, destino que Deus marcô
(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)